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quinta-feira, março 17, 2005

Schopenhauer (Brainstorm)

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Olha o texto que estou postando abaixo, é mais um texto antigo meu, mas que vou deixando arquivado aqui para quando estiver sem inspiração para coisas novas.
Gosto muito desse texto e como o subtítulo diz, foi um brainstorm, pois escrevi sem pensar em nada, regras, rimas, nada. Escrevi o que saiu.

Só para contextualizar escrevi esse livro após ler um livro que ganhei de presente da minha amiga Rosane Coutinho, chama-se A Arte de Ser Feliz, de Schopenhauer,1 por isso o título.

Então vamos para o texto.
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Schopenhauer (Brainstorm)

Famigerado, desgraçado. Descalço, indócil. Sigo assim minha sina de não querer nada além do que é jogado no lixo daqueles que possuem a vida que quero.

Assim! Para quê mais? Aprendi que querer é sofrer, mesmo que queira apenas um pouquinho de felicidade... dignidade...

Hum... dignidade, nem sei o que é isso, mas deve ser legal... ser digno!

Dignidade: respeitabilidade; autoridade moral Isso foi o Aurélio quem disse. Mentira, não foi ele não! Foi o Silveira Bueno, mas é que Aurélio é mais bonito, mais poético, todo mundo conhece.

mas o Silveira também tem sua autoridade moral e tenho que ser grato a ele, por me acompanhar desde o colegial.

Qual era o assunto? Nem me lembro mais! Também não lembro de tantas outras coisas, mas não quero ser assim não. Eu quero lembrar. Quero poder contar histórias bonitas para os meus filhos. Bonitas e cheias de sabedoria.

Ahh! Vai ser legal eles olhando para mim com aquela cara de quem "teve um encontro com Deus". Frase cliché né? Mas não quero entrar nessa polêmica. Não que eu não discuta religião, mas é que tem hora certa para isso. Quero é falar dos meus filhos, que ainda não tenho.

Não. Não é isso também não! Estava falando de memória, ou era dignidade?

Ah, quero tanta coisa, que é até chato querer. Schopenhauer diz que a felicidade está em querer o menos possível... Schopenhauer!!! Viu como estou chique, citando Schopenhauer.

Será que meus filhos vão achar bonito quando eu falar em Schopenhauer? Ah, deixa prá lá.

Se você me acompanhou provavelmente enm me entendeu, mas eu estava pensando nesse povo; o povo todo mesmo. Eu queria que eles também em acompanhassem.

Podem até começar famigerados, mas que terminem com Schopenhauer.

ALEXANDRE LIMA DE BARROS
BH - 10/09/2003 - 19:45

OBS: Será que um dia nós seremos capazes de eleger mais políticos que se preocupem menos com a política e mais com o povo? Tá na hora.

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1. Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo Alemão, nascido em Dantzig, em 22 de Fevereiro de 1788.Mais informações:

quarta-feira, março 16, 2005

Vivo

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Como disse que iria postar algumas coisas antigas, aqui vai um poeminha que, relendo ficou até razoável... Nessa época estava com 21 anos então devia estar no espiritismo (Kardecismo)1, talvez sirva para contextualizar o tema.

Abraços a todos os que lêem aqui, principalmente à Hitoe, que tem deixado ótimos comentários nos meus textos. Por favor, se tiverem alguma sugestão ou dica também podem falar.

Vivo

Vivo,
pois este é meu destino.
Não porque respiro ou ando.
Vivo,
pois é bom viver.
O que será esta vida?
Sem motivos? Duvido!
Um dia não pode existir sem motivos,
Quem dirá uma vida.
Todos os dis acordo
E me pergunto porque vivo.
Lá no fundo me respondo:
Vivo porque amo o mundo,
Vivo porque amo a vida!

Alexandre Lima de Barros
Belo Horizonte - 26/Fev/2000 - 09:40


1. Religião fundada por Allan Kardec.

Maracangalha... Minha Mãe

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Acho que para ser um bom escritor é preciso, além de várias outras coisas, uma ótima memória e uma certa capacidade de "contar causos". Acho que nesse quesito terei problemas. Às vezes paro para tentar lembrar de coisas do meu passado, minha infância e vejo que as memórias existem, mas não são tão fortes, de forma que eu possa trazê-las com toda a força para o presente, assim como Vinícius, ou livros ricos em detalhes como de Pedro Nava.

Entretanto, nem tudo está perdido nessa cachola, e até um peixinho dourado deve ter alguma coisa que fica fixa por mais tempo em sua memória. Assim também é comigo e chegou a hora de fazer justiça a uma pessoa de extrema importância na minha vida: Minha Mãe.

Pessoa séria, caprichosa, trabalhadora, amorosa. Sempre cuidou da sua casa e sua família com muito amor, de uma forma que às vezes nos chateava, mas sempre nos amou. Infância difícil nascida em um vilarejo na Bahia, Caraibas, distrito de Tremedal, ainda menina mudou-se para Vila Pereira, distrito de Nanuque, Minas Gerais, e daí para a sede. Filha de família comum, humilde... vamos adiantar pois isso não é biografia... só quero dizer que minha querida mãe sempre foi uma pessoa humilde, mas que zelava muito por nós, mas todos temos nossas manias e minha mãe também tem as suas: adora casa limpa e organizada, chegando a uma neurose graças a isso, mas é graças a essa neurose que tenho uma das lembraças mais gostosas da minha infância.

Cuidadosa que era com a casa, não gostava de menino pequeno tomando banho e sair bagunçando os quartos sendo assim, tomávamos banho todos juntos, ela, eu e minhas duas irmãs. Isso era uma festa, assim com todos juntos, ocasionalmente meu pai também estava, tornando a festa ainda maior. Isso nos tornava um pouco diferente e se tivéssemos composto a música Família do Titâs acrescentaríamos: 'Toma banho junto todo dia'... era a nossa história e gerou mais histórias.

Nesses banho minha mãe costumava cantar Maracangalha,

Maracangalha
(Dorival Caymmi)

Eu vou pra Maracangalha
Eu vou
Eu vou de uniforme branco
Eu vou
Eu vou de chapéu de palha
Eu vou
Eu vou convidar Anália
Eu vou

Se Anália não quiser ir Eu vou só
Eu vou só, eu vou só
Se Anália não quiser ir
Eu vou só, eu vou só
Eu vou só, sem Anália
Mas eu vou

... mas de uma forma adaptada, não havia Anália e sim Alexandre, Bianca e Janaina...

- Eu vou convidar o Alexandre, eu vou... Se ele não quiser ir eu vou só...

Essa era a nossa deixa, em que sempre respondíamos "Eu vou", como poderíamos deixar nossa mãe ir sozinha para Maracangalha, um lugar tão distante e desconhecido quanto o Tororó, onde ela também nos levava vez ou outra. É verdade que Bi, nossa rebelde sem causa(1), às vezes negava, para indignação minha e de Jana, mas era só charminho mesmo.

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É engraçado hoje escutar Maracangalha, dá vontade de ir para o banheiro, chamar minhas irmãs, minha mãe, meu pai, sentar no chão e deixar que minha mãe esfregue minhas costas, ou eu mesmo esfregar as das minhas irmãs para ajudar. Mas como no momento meus pais estão longe e minhas irmãs dormindo, choro de saudades. Saudades de coisas boas que vivi, vontade de poder vivê-las mas os dias são outros, saudades dos meus queridos pais que estão em Teixeira de Freitas, próximos como uma chamada no Skype, mas tão distantes para um abraço apertado, saudade da minha mainha, pegá-la, jogá-la na cama e beijar todo carinho e sem parar, até meu pai chegar no quarto sorrindo e nos chamando de palhaços.

Saudade.

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1. Rebelde sem causa: Esse domingo (13/03/2005) teve uma reportagem falando que os primogênitos são mais obedientes, enquanto os mais novos são mais "rebeldes", para tentar chamar a atenção dos pais. Por isso mesmo têm maiores propensões a serem pessoas que vão contra o sistema, idealistas. Bem, azar o meu que sou primogênito.

domingo, março 13, 2005

Formigueiro (Fotografias)

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Bem, quem dá uma examinada mais minuciosa no blog pode estranhar o texto de introdução do mesmo:

Tudo o que se passa na minha mente,
desde fotografias de formigueiros
a conhecimentos científicos e filosóficos...
Bem, na verdade talvez nem seja tão estranho, é só isso mesmo, foto de formigueiro sim, porque adoro fotografia, embora não seja nenhum J. Duran, mas gosto de fotografar de tudo, desde formigas brigando no chão para pegar um bezouro morto a festas de aniversário do amigo do meu primo. Nesse ínterim passamos por flores, paisagens, praias, pessoas conhecidas ou desconhecidas, bundas (como pode ser visto em um post do meu flog) e tudo mais que puder ser focalizado por uma lente, embora às vezes não fique tão no foco assim.

Aí está então a foto que inspirou parte da introdução do blog:

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E fotografar é isso, mirar a lente em uma direção que muitos não observavam e captar naquele momento algo próprio, é como emitir uma opinião sobre um assunto. Ela revela um breve momento, na eternidade (ou brevidade) de um fato.

Como esse pequeno formigueiro aí que parece um grande cálice, ou uma enorme estrutura. Havia vários ângulos possíveis, escolhi uma, essa foi minha opinião, meu ângulo.

Às vezes acontece isso em nossas vidas, os fatos estão ali para ser vistos ou não por quem quer que seja. Cabe a nós escolher se vamos ou não observá-lo. Às vezes somos nós mesmos os fatos, esperando que alguma lente nos mire e descubra o nosso melhor ângulo e resolva assim nos fotografar, nos revelar e guardar em seu álbum de recordações. Mas o que mais queremos mesmo, é que após nos revelar sejamos colocados em um belo porta-retratos na mesa de centro da sala, uma parte importante na vida daquela pessoa, ou que nos carregue em sua carteira... seu Coração.

Três Estações - Porque Também Somos do Mar

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Ontem fui ao show do Amaranto, trio musical composto por Flávia, Lúcia e Marina Ferraz, com vozes doces e melodiosas que cantam como anjos a nos embalar ou elfos a nos enebriar. Nome do show: Três Estações - Porque Também Somos do Mar, com participação também de Fernando Brant e Geraldo Vianna.

Foi um show maravilhoso, com musicas de Dorival Caymi, intercaladas com leituras do Brant e músicas instrumentais maravilhosas com destaque para o violão do Geraldo Vianna. Tudo bem recheado com essas três vozes maravilhosas e suas perfomances, tornando o espetáculo ainda mais leve, mas amigo, mais íntimo.

O show foi um êxtase e tinha também por finalidade a gravação de um novo CD, o qual já espero ansiosamente.

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Sou apaixonado pelo Amaranto, quem me conhece bem sabe disso, evito perder qualquer show delas e se pudesse colocaria aqui algumas de suas músicas, mas como não sei como fazê-lo recomendo o grupo, pois elas são ótimas.

sábado, março 12, 2005

Para Tudo Tem Um Começo

2 comentários
Bem, meu primeiro post aqui no blog teve o título de "Iniciando... mais uma vez", referia-me, obviamente, ao início desse blog. A propósito já comecei outros, mas não consegui dar continuidade e nem divulguei, então não vingou. Nesse agora divulguei um pouquinho, e os comentários servem de estímulo, por isso: COMENTEM... somos sempre um pouco exibicionistas, e a única forma de saber que estão lendo é se comentarem.

Mas o que queria dizer mesmo é sobre o meu começo como "escritor", supondo que o sou, é claro.

Acho que a primeira coisa que me lembro de escrever foi uma redação, na 1ª série, cujo o tema era Jacaré... bem, eu acho. E em determinado ponto da redação surgira a palavra 'jeito', mas que eu não sabia como escrever, palavra que, confesso, até hoje me surgem dúvidas ocasionalmente. Nesse dia tive que sair da minha casa e pedir auxílio no consultório daquele que é o meu grande guru, meu Paizão.

Bem esse episódio foi a primeira composição que lembro que fiz, redação normal de grupo, mas está perdida no tempo então não há como dizer no que consistiu, sem dizer que foi por obrigação, o que geralmente torna muito menos prazeroso. Mas existe um outro dia na minha vida que ficou ainda mais marcado na minha "vida de escritor", foi o dia que realmente decidi que queria escrever poesia, que queria escrever alguma coisa, se é que se pode decidir isso, mas eu decidi. Peguei o velho bloquinho de receituário que sempre tinha lá em casa, pois meu pai, exagerado, mandava fazer muito mais que o necessário. Assim eles bailavam por todos os lugares e os usávamos para tudo, seja para prescrever receitas, fazer cálculos financeiros, desenhar ou escrever.

Cresci vendo meu pai escrevendo nesses blocos e até hoje às vezes encontro algumas de suas folhas, brilhantes, acetinadas, do tipo que borram com canetas BIC, perdidas em algum livro mais antigo.

Pois foi em uma folhinha dessas que escrevi meu primeiro poema, infantil, mínimo, uma estrofezinha, mas mesmo hoje penso que foi um dos meus melhores, o primeiro, meu primogênito, como um filho que nasce sem que se perceba.

E foi assim que nasceu "Chuva Colorida", escrito em caneta BIC verde (que só vi mesmo com meu pai) e desenhos borrados em azul e vermelho.

De lá para cá, já tive épocas de escrever e épocas de silenciar, como já comentei aqui, mas ele foi o marco inicial... e que não haja o final.

Então, hoje, vou postar aqui esse poeminha e toda vez que achar que estou meio parado com o blog e sem inspiração vou repostar poemas/textos antigos, espero que me aguentem, mas desejo muito a crítica dos que me lêem, tanto para elogiar quanto para falar que não gostaram. Quem entender melhor dessa arte de escrevinhar pode me falar ou dar dicas, se houver algum erro falem para que me corrija, pois como disse o sábio filósofo brasileiro: "Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante."1

Chuva Colorida

Chuva colorida
Para meu mundo sem cor.
Chuva colorida
Para satisfazer o meu amor.

Alexandre Lima de Barros
Lajinha - MG - 1990

1. Raul Seixas

terça-feira, março 08, 2005

E Deus Fez a Mulher

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E Deus seja louvado por muitas obras, mas principalmente essa:
Mulher, fêmea bípede da espécie Homo sapiens sub-espécie sapiens.1

Seres complicados que não sabem o que querem e só querem o que você não sabe. São emotivas ao extremo e ainda sim não mantém um padrão de emotividade, um dia estão amáveis como cachorro pincher quando vê o dono, no outro, parecem gatas paridas, prontas para destruir o mundo (e ai de você se for calmo, isso é capaz de irritá-las ainda mais).

Mulher é boa em tudo, até no que é ruim. Se são chatas, são chatas prá caralho. Se são legais movem o mundo e só te trazem alegrias. Se são frias, nem o sol para penetrar seus corações (e haja sofrimento para os pobres homens), mas se amam, amam com o corpo, com o espírito, amam com a alma... amam como se só isso bastasse nesse mundo criado todinho, penso eu, para elas.

Como sofrem algumas mulheres e como sofre muito muitas outras, sim porque ninguém sofre como as mulheres. Sofrem porque brigou com o namorado, sofrem porque comeram uma caixa de bombom, sofrem ainda se comeram a caixa de bombom porque brigaram com o namorado. Ardem de dor porque aquela mocréia horrorosa2 está usando o mesmo vestido que o seu naquela super-festa.

Choram, choram demais nossas lindas mulheres. Choram porque é o último capítulo da novela,
às vezes nem é o último, mas elas choram assim mesmo. Choram porque o filme é triste, choram porque é alegre, às vezes até nos de ação. Choram porque quebraram a unha e choram porque ninguém reparou no corte de cabelo!

Ah os cabelos, longos, curtos, loiros, pretos, castanhos, ruivos (adoro as ruivas), gordas, magras, baixa, alta, todas com suas particularidades, todas lindas todas maravilhosas. Mulheres, benditas sejam, amadas sejam.

Um grande beijo a todas e parabéns por esse dia que alguns idiotas convencionaram para ser seus, prefiro considerar como sendo todos seus.

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1. Se bem que dizem que se possuirem pêlos louros são Homo sapiens masnemtantus. Brincadeira, sabem que não penso assim, mas não podia perder a piada.

2."Mocréia-Horrorosa": mais conhecida entre os homens como Gostosona.

terça-feira, março 01, 2005

A Crônica Que Não Escrevi

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Sempre gostei de escrever, bem, sempre desde a 4ª Série. Fiz poema, fiz texto que ganho concursozinho de escola e tudo mais. Sempre tive grandes admiradores, pois nossos pais insistem em nos convencer que somos bons.

Por causa dessas coisas, comecei a achar que poderia continuar escrevendo. Mas tudo tem seu tempo, a inspiração tem que vir, já tive épocas de escrever muito, outras de total estagnação, às vezes falta inspiração, às vezes é pura enrolação.

Entretanto existe uma crônica que não escrevi, a imagem até hoje fica comigo:
Um velhinho, com seu walkman, fone de ouvido na orelha, aparelho colado ao ouvido.

O novo e o velho, costume e modernidade... essa eu não escrevi.

* Post em homenagem ao meu amigo Ragner, pela sinceridade... estava mesmo precisando atualizar isso aqui.