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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Me Ame Como Eu Sou!

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Vamos ignorar o erro gramatical do título, ainda sim a frase é muito idiota.

Não, não vou te amar como você é. Vou te amar sim, mas se é para te amar quero estar com você, por muito tempo e, na maioria das vezes, o maior tempo possível. No entanto você não é Eu, nem eu sou Você, sabe como é né?! Exceto, é claro, se eu for um doido conversando de frente ao espelho, mas não é o caso.

Ouvimos essa frase sendo dita em vários locais, quando não é a esposa ou namorada é a história de algum amigo, é uma novela, um filme e por aí vai. Mas como diria Caetano "Onde queres descanso, sou desejo / E onde sou só desejo, queres não" (O Quereres - Caetano Veloso). Assim somos nós, diferentes, tentando se igualar.

Querer ser amado como nós somos, sem nenhuma mudança é uma afronta, é pedir ao outro que mude totalmente para ficar exatamente como nós, pois só nós aceitamos tudo o que somos (e olhe lá!!!). É um egoísmo titânico não querer mudar, ser um pouquinho o que o outro vive e deixar que essa outra pessoa também absorva um pouco da sua essência.

Se queremos estar junto ao outro, se essa pessoa faz alguma diferença, tem algum significado em nossa vida, esse Sou tem que mudar com o tempo, o que nós somos tem que ser mutável, flexível. Obviamente, para ambos os lados. Assim, ambos estarão ligados, como quando damos as mãos com os dedos cruzados. Os dedos estão ali, entremeados uns aos outros, cedendo um pouco do seu espaço, mas as mãos continuam únicas, estão unidas, mas ainda plenas na sua individualidade.

Isso traz sabor à vida e a um casal (ou qualquer outra forma de convívio próximo) esse reconhecimento de uma Individualidade, parcialmente invadida pelo outro, uma borda de congruência, onde são geradas as experiências e lembranças comuns.

.Escrito em 05-02-2010

quinta-feira, agosto 27, 2009

Eu twitto, tu flickas, ele facebook, nós orkutamos, vós youtubam, eles multiplyem!

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(Atualizado em 26/03/2010)

É isso, após milênios afastado do meu lindo e amado blog, retorno. Assim como o bom filho.
Retorno com uma indagação: para quê? (Esse acento caiu com a nova regra gramatical? Tenho que ver!)

Já estou aqui postando no blog a algum tempo, textos que gosto de reler e vejo que, ocasionalmente algumas pessoas lêem também, ainda mais loucas que eu, pois recebo até comentários. Entretanto, e daí? A que fim leva isso, não sou nenhum escritor, não sou nenhuma personalidade famosa, nem lá em casa eu tenho crédito. Será que esperança/pretensão de algum editor ler isso? O Jô Soares falar: esse cara engraçado!? A Marília Gabriela: que homem sagaz? (Isso seria um sonho)

É tudo parte de um ego pateta mesmo. Para melhorar as chances estatísticas proliferamos nossas personalidades pelo meio internáutico: twitter, facebook, multiply, orkut e tantos outros por aí. Reflexos turvos, embaçados, do Eu real que nem conhecemos*, nem minha psicóloga conhece.

De todo jeito estamos aí...

Abraços.

Alexandre Lima
@xandelimabr


Atualização: Como bem lembrou mina amiga Verônica Física, a primeira vez que escrevi essa frase foi: "Reflexos turvos, embaçados, do Eu real que nem existe".

terça-feira, setembro 30, 2008

Escolhas

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E agora, o quê faço?
Você já se deparou com essa pergunta?
Eu já, várias vezes.
Somos o somatório de resultados de equações simples e sucessivas, sendo que cada uma tem apenas duas opções: Lado A x Lado B. Resumindo: somos um emaranhado enorme de todas as escolhas que fizemos.

Fulano é feliz: sortudo; Ciclano é deprimido: tadinho.
Balela, lorota, história da Carochinha.
Pensamento besta, que todos nós temos. Cada um é, aquilo que escolheu ser. Simples, limpído, como água de chuva.

Pense naquela paixão não correspondida que te consome. Está te matando né? Você escolheu.
Poderá dizer que paixão/amor não escolhemos. Tá bom, eu sou um pouco místico e acredito em certas artimanhas do destino. Entretanto, no fundo, escolhemos como vamos processar esse enorme banco de dados, repleto de informações e variáveis a que estamos sujeitos.

Sou eu que vou escolher se vou ficar parado massageando os quartos traseiros depois daquele bem dado ponta-pé ou, se vou aproveitar aquele impulso e cair no colo de uma linda morena!
Sou eu que vou escolher se vou aguentar calado ou não os xingamentos daquele patrão filho-da-puta. Se vou aguentar calado, decido se vou ficar remoendo aquilo ou se vou pensar em uma forma de sair desse emprego de merda e ralar por um outro melhor.

Está tristinho porque ninguém retribui a atenção que você dá? Se vira neguinho. É tudo sua escolha. Você gosta do que faz? Gosta de "dar essa atenção"? Então pronto, vai lá, faça o que te deixa feliz e se mantenha assim.

Sejá lá qual for sua escolha, faça-a com convicção, de preferência sem expectativas. Faça-a sim, mas porque é o que VOCÊ quer fazer, afinal, no frigir dos ovos, é sempre isso o que ocorre. Mas se percebe que tudo foi escolha sua, não tem erro, vai saber como lidar com as conseqüências.

Escolhas sucessivas, é isso que somos. Somos esse amontoado de células interpretando o teatro que nossa mente resolveu viver.

Alexandre Lima de Barros
Belo Horizonte - 30/09/2008 - 00:53

domingo, junho 24, 2007

Adágios Sobre o Sofrimento...

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Todo mundo nesse mundo sofre, pode ser um pequeno sofrimento, pode ser rápido, como uma topada com o dedão numa pedra da calçada, mas todo mundo passa por algum sofrimento, ou algum tipo de dor. É óbvio que existem algumas situações que a maioria de nós considerará bem pior que outras, mas para quem está passando por um determinado problema, pouco importa se tem gente morrendo de fome na somália ou se morreram milhares de pessoas no atentado ao World Trade Center.

A dor, o sofrimento, são inteiramente pessoais, intransferíveis e não podem ser medidas. A dor do término do namoro, de ser reprovado naquela matéria. O sofrimento de ver que nossos políticos não têm mesmo vergonha na cara e nós somos os otários que os colocamos lá. Não tem como medir a dor do outro.

Por isso há algum tempo escrevi os adágios que se seguem, talvez nos ajude a suportar nosso sofrimento e o dos outros também.

Adágios sobre o Sofrimento
(ou a dor) em um egoísta Surtado
.

Do tipo: O pior sofrimento é o MEU.
Da intensidade: O MAIOR sofrimento é o que EU estou sentindo NESTE momento.
Da temporalidade: todo sofrimento é eterno, mesmo que dure 30 segundos.

(Alexandre Lima de Barros - Belo Horizonte - 15/04/2003)

sábado, abril 14, 2007

A Fila

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A Fila

Sentado vejo o mundo passar. Estou aqui no Banco, esperando minha vez nessa enorme fila que tudo se tornou: fila para o banco, para o banheiro, para o supermercado e até fila para o transplante.

Estar na fila é esperar, então continuamos esperando por alguma mudança, um passo à frente ("Próximo!"), esperando uma ação do governo, esperando ganhar na mega-sena.

Todos perfilados, coluna por um, roboticamente rumando a um caminho preguiçosamente desconhecido. Enquanto isso, aqui estou, colocando palavras em fila, palavras, que, na maioria das vezes não diz nada à ninguém.

Bom seria furar essa fila ("Próximo!", "- Eu!"), chegar na frente e mostrar que não ficou parado, esperando, mostrar que veio ao mundo por um motivo palpável e não apenas por inércia da natureza.

Isso já é outra fila, não a minha, mas um dia chego lá.
- Próximo!

Alexandre Lima de Barros
Belo Horizonte - 10/04/2007 - 09:58

quinta-feira, abril 05, 2007

Something Stupid

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Direto do YouTube, dueto com Robbie Williams e Nicole Kidman.
A letra pode ser encontrada aqui e tradução aqui.

Esse video seria apenas para complementar o post em que a Nicole apareceu aí para trás, mas vendo a letra da música - você encontra videos legendados no youtube, mas esse estava com melhor qualidade - pensei em algumas coisas...

Something Stupid

Então é assim, estamos juntos, já fazem anos, muitos anos na verdade, lembro bem como era no início. Os dois sem graça, sem saber o que falar, tudo era imbecil para quem falava e lindo para quem escutava. A vergonha batia até para pedir água ou responder se preferia pão-de-doce ou de-sal, se preferia leite ou café.

O tempo passou e, como acontece na maioria dos casais normais, a intimidade cresceu - em alguns cresce até demais para opinião de outros - perdemos muitas daquelas vergonhas, eu já prefiro pão-de-sal com muita margarina, sei que você não gosta de café, mas muitas outras coisas já foram ditas. Coisas que ainda fazem sentido, especialmente uma certa frase, "Eu Te Amo", como foi difícil e ao mesmo tempo aliviante dizê-la. Pronto, não precisava mais guardar. A resposta não veio no momento, ainda bem, hoje também sei que não seria das mais agradáveis, mas eu não esperava isso mesmo, não naquele momento, também não tardou chegar, você também me amava.

Muitas e muitas horas de conversa se passaram desde então, conversas hilárias e outras muito sérias, mas sempre conversas agradáveis, motivos pelos quais nos apaixonamos um pelo outro. Hoje só te peço que continue do jeito que é, pois sabe que também só consigo "ser eu" ou a essência do que gosto de ser com você. Não deixe que essa minha facilidade de dizer certas coisas torne-as boçais, sem sentido ou conteúdo, é como dizem por aí, "Te Amo" não é "Bom dia", e com certeza há formas muito mais interessantes de dizer bom dia e formas mais gostosas de dizer Te Amo.

Alexandre Lima de Barros
Belo Horizonte - 05/04/2007 - 11:56

sexta-feira, março 16, 2007

100% Um Pouco de Cada Coisa

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Hoje, voltando do trabalho, lá na Praça Sete, esperando pelo ônibus que, por sorte até passa rápido - sorte que nem todos têm - vejo um cara com a camisa 100% Negro. Sempre adorei essa camisa, principalmente quando estava no começo dessa onda de afirmação negra, mas ao mesmo tempo pensava que, aqui na nossa terrinha, com raras excessões, ninguém é 100% NADA!!!

Todos nós sabemos, e isso é bastante martelado na nossa cabeça, que somos um povo extremamente miscigenado1 tudo cruzado, mulatos, caboclos e mamelucos (alguém já viu uma pessoa falar que é mameluco???), é a genética dando um jeito de evoluir e por aqui, se tem uma coisa que evoluiu foi O Jeitinho. Mas voltemos à miscigenação: será que alguém aqui consegue ver isso? Que somos um balaio de gato, todos misturados, branco do "cabelo-ruim", preto do cabelo bom, alguns à custa de algumas chapinhas e alisamentos, mas se a Nikole Kidman pode, por que não nossas brasileirinhas? Quem mais vê isso?

Eu sou um profundo admirador "do tudo" - eclético hoje virou adjetivo para quem não tem opinião sobre nada, um 'tanto faz' tucanado2 - não sou eclético. Eu gosto de tudo (tá bom, quase tudo), intencionalmente, ativamente, não é um tanto faz ou "cê que sabe" porque isso é nome de motel.

É sobre isso que quero falar, já pensou como é legal toda essa nossa mistura? Em todo lugar que vamos temos um pouco de tudo, em quase todos os aspectos, etnia, crenças, danças, músicas... É um grande mostruário existencial.
Dê uma olhada nos colegas ao lado, tem o gordinho a magrinha, a moreninha e o branquelão, cruzeirense e atleticano, portela, mangueira, flamenguista (esse está em todo lugar). Dê uma olhada na japinha mestiça e na negra de olhos verdes.

Volto a perguntar, será que ninguém vê isso? Quero uma camisa 100% Um Pouco de Cada Coisa! Médico físico, catarinense axezeira, economista funkeiro, presidente pilequeiro, loira inteligente (abaixo os estereótipos preconceituosos), homem fiel (por que não?), mulher galinha (até que já tem bastante), político honesto (aí já está faltando). Um pouco de tudo. Como diriam os Paralamas, quero Häagen-Dazs de mangaba, quero de tudo, mas nem todas as coisas me convêem.

E para concluir me dê também o direito de não gostar de nada, pois ser 100% um pouco de tudo, é também ser chato, lerdo, de vez em quando, é assistir o BBB sempre que quiser e escutar No Cume3 enquanto lê Schopenhauer. Ser um pouco de tudo é também, de vez em quando, ser muito quase nada.

1. Aproveito que tive uma dúvida para divulgar um site de dicionário, uma das coisas que mais utilizo e o que ainda mais preciso:
- Priberam Informática: Dicionário

2. Tucanar: termo desenvolvido por José Simão da Folha de São Paulo para designar o ato de rebuscar excessivamente alguns termos, ou algo parecido.

3. No Cume - Falcão

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Big Fish

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Já se vai algum tempo desde o último post, sendo assim vou postar um texto antigo, pois estou, por assim dizer, sem inspiração. Achei esse por acaso, organizando meus textos no pen-drive.

Big Fish

Venho andando pelas ruas, vejo árvores, vejo prédios. Me imagino saltando-os, ou então agarrados em suas superfícies. Sou homem-aranha.

Observo os céus e vejo pássaros e lá estou eu voando através das paisagens, quilômetros em minutos, segundos... como já fiz isso, várias vezes. Saltar, planar, voar, muitas vezes. Em sonhos é claro, não se assustem, que sou doido, mas nem tanto. Chamam de, como é mesmo? Ah, Viagem Astral, Projeção, ou qualquer coisa que o valha.

Já acreditei muito nisso sabe? Hoje um pouco menos. Mas como eu mesmo dizia nessa época: a verdade É, acredite você ou não! Então pouco me interessa se é verdade ou não. Além do mais, verdade depende do ponto de vista. Que tipo de verdade?
Enquanto estou sonhando (ou será que me projetando?) tenho plena consciência e crença de que aquilo é realidade. Estou em um mundo paralelo, é delicioso.
Já voei, já planei, lutei, dei grandes saltos, que me enchiam de prazer. Isso é que é importante.

Nesse nosso plano usual já corri demais, desci ladeira desembestado, em grandes saltos, muito menores do que no outro, mas ainda sim grandes... velocidade, imaginário, The Flash.
Já brinquei até de Super Homem, mas dessa vez me estabaquei no chão, cuidado então, não façam isso em casa, melhor não façam em lugar nenhum se não tiver segurança.

O imaginário é assim, é imenso. Outras dimensões, onde controlo tempo e espaço, se é que eles existem. Já me fundi com o cosmos... fundi, fique bem claro. Sentir tudo ao meu redor, sentir o vento que bate na mesa do meu quarto, sentir o que o vento sente ao ser atravessado por mim. Não tem descrição.

Que desdenhem, não me importo. Continuo voando, voando porque gosto.

(Alexandre Lima de Barros)
21-08-2004 14:11 - Belo Horizonte - MG

terça-feira, setembro 26, 2006

Deus Tira Onda (ou: Por que existimos?)

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Raramente escrevo dois posts no mesmo dia, mas ontem quis escrever isso e na hora H fugiu da minha mente. Agora que acabei de assistir ao filme Energia Pura (Powder) acabei lembrando-me.

Esses dias estava conversando com a Flávia, católica convicta, mas muito agradável de conversar e, conversa vai, conversa vem comecei a pensar:

"Deus tira onda com a nossa cara!"

É sério, tentem me acompanhar. Suponhamos1 que exista esse "Deus" que todas as religiões dizem. Esse cara supremo O Cara, que criou tudo e todos, dizem que ele é Só Justiça, Só Amor e etc e tal. Suponhamos que, por essas qualidades todas Ele sabe o que faz, nos ama, e quer o bem de todos - até mesmo porque não aceitaríamos que o grande criador queira o nosso mal.

Isso tudo suposto e outras suposições mais às quais não me lembro no momento, pergunto: Por que raios existimos, assim, da forma que existimos? O que quero dizer é por que esse mundo é tão foda? Por que tem um galerão sofrendo, e uma turminha só nadando na carne-seca, passeando de jet-sky na nata da existência? Por que tem um gurizinho ali na rua que não dorme de tanto frio e eu aqui não durmo por opção no apartamentinho quentinho com minha internet banda larga?

Para explicar isso é mais complexo, vai depender da religião, e me perdoem se eu simplificar demais a parada aqui, mas é que não conheço tanto assim dos milhares de ramos que existem:
1.Cristãs: temos que expiar nossos pecados para merecer o paraiso eterno.
... Então fiquem espertos camaradas vale a pena sofrer uns 50 a 80 aninhos para ganhar a eternidade de brinde.
2.Espíritas (reencarnacionistas em geral): estamos pagando ou usufruindo o que plantamos no passado.
... Parece um pouco mais justo.
3.Outras: tudo faz parte do todo, tudo é impermanente, etc.
4.Várias outras: vários outros motivos.

Eu poderia ficar por um tempo aqui, se tivesse conhecimento para tal, discorrendo sobre as explicações, mas atualmente eu caio na seguinte pergunta:

- E daí? Por que nós?
Se Deus é bom prá caramba por que eu tenho que sofrer, qual é a dele? Na proposição 1, cristã, é foda aceitar as discrepâncias de oportunidade. Falarão em livre arbítrio e coisa e tal, mas é muita injustiça comparar o filho do Abílio Diniz e o ambiente que ele cresceu com o Laranjinha, que nasceu no favelão e tudo o que ele via era crime, e que prá ele é normal, se é normal como recriminá-lo por fazer isso.

Podem me falar de livre arbítrio à vontade, que somos diferentes dos animais, que pensamos e escolhemos o nosso caminho, mas ainda sim fica a pergunta: Prá quê? Por quê?
Se Deus é e sempre foi essa perfeição, por que ele inventou a gente? Para quê o livre arbítrio e o sentimento se isso nos faz sofrer. Tá, não quero reclamar dos dons que ele me deu e que não deu prá essa muriçoca filha da puta que fica me picando até morrer debaixo da minha mão. Não estou sendo ingrato, eu só queria saber o que Ele ganha com isso? O que isso traz para a Sua grande experiência eterna?

Será que um belo dia ele acordou na sua intemporalidade e resolveu olhar para aquele esboço de DNA e pensou: "E se eu pusesse uma pitadinha de livre arbítrio... vamos ver o que acontece!!!" e eureka... nascemos!

Prá quê? Prá que meu Deus? Fica parecendo aqueles meninos muleques que espetam um palito na bunda da tanajura só prá ver a bichinha batendo asa. Será que coloca formiga no copo d'água, só para ver o que acontece?

Eu juro que não entendo o que ele quer, mas vou seguindo, afinal de contas é assim que o bendito do livre arbítrio (que de livre tem muito pouco nesse mundo) me guia.

Por seu teor filosófico, caros amigos, gostaria muito de vossos comentários.

Um grande abraço.

1. Eu acredito em Deus, mas de vez em quando fica difícil definir exatamente como é esse Deus em que acredito, mas prá efeito geral eu acredito.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Era Dia dos Pais

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Bem, 12 de Agosto, véspera do dia dos pais, fomos, Eu, Flávia e Família para um baile de igreja: Baile do Papai. Queríamos começar a por em prática um pouca das aulas de dança de salão que estamos fazendo.

Como poucas vezes acontece, eu cheguei até cedo, a banda começa a tocar, espero uma ou duas músicas até tomar coragem de dançar na frente daquele povarel todo - afinal na aula de dança é fácil, eu estou só aprendendo. Levantamos e nos pomos a dançar, tranquilo, passou a vergonha, é mais tranquilo que pensava, dançamos um pouco.

Passado algum tempo uma muvuca se amontoa a um canto do salão, preessentindo o acontecido corri ao local, como muitos outros já faziam. Um senhor caído no chão, sangrando devido ao impacto, parada cardíaca, sem pulso, um leve reflexo respiratório. Detesto emergências, fugi disso toda a minha vida acadêmica e profissional, mas quando se é o único com alguma capacitação deve-se assumir um certo comando.
Com a cooperação de outras duas pessoas iniciamos uma massagem cardíaca, enquanto todos no salão, desesperados começavam a dar opiniões, telefonar para a emergência. Foram longuíssimos 20 minutos de massagem cardíaca, até a chegada do SAMU. Víamos a esposa chorosa, depois chegam filho e filha. Depois chega o SAMU, fizemos a nossa parte, agora é com eles.

Só um não cooperou com nossos anseios, aquele senhor deitado no chão, talvez fosse mesmo sua hora, penso que chegada a hora, não adianta, ele dá adeus e se vai.

A festa acabou, para nós, mas na memória daquela família, nunca acabará, a cada ano lembrarão: "Era véspera do dia dos pais, e o nosso foi ter com o pai maior."

Um dia será o nosso dia, que venha sereno, tranquilo.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Tudo que é bom acontece na madrugada!

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Olá queridos poucos leitores, em primeiro lugar um comentário: já faz tempo que não apareço aqui, mas deixa isso prá lá, sou assim mesmo.

Agora vamos ao texto.
Estou indignado, são 02:10 da manhã e vou perder mais alguns minutos do lindo, precioso e amado sono para protestar.

Tudo o que é bom acontece na madrugada. Já reparou nisso? Se não me entendem refiro-me principalmente aos programas de TV. Já cansei de perder noites de sono assistindo a programas da madrugada, ou dormi com raiva por não vê-los. Os show bacanas que não estão na mídia passam de madrugada. Aquela apresentação de violão de um grupo bacana de não sei onde, passa de madrugada. A ciência diz que quem dorme mais vive mais e melhor, o problema é que a ciência só me diz isso de madrugada.

Esse bendito mundo tem exigido e sugado tanto de nós durante o dia que só o que nos resta é a madrugada. Agora entendo a pergunta que me faziam no exército, ante à minha perplexidade pela sobrecarga de tarefas a cumprir: "O que você faz de Meia-noite às Seis?". Agora eu responderia: - Eu Vivo... é; porque durante o dia eu produzo... viver para mim só depois disso. A aula de violão até sai um pouco mais cedo, mas, para desespero das minhas irmãs e da vizinhança, só posso praticar bem mais tarde. Depois disso vem um tempinho para leitura, o que acaba sempre virando um tempão.

Estava ali assistindo um programa na MultiShow que dá uma misturada em física e truques de magia, ô trem gostoso sô. Adoro física e magia é muito massa. Entretanto coisas desse tipo não passam na Globo, só depois de uns 3 anos e se fizer sucesso lá fora. (Como foi o MithBusthers... se for assim que se escreve).

Continuando minhas reclamações... A sociedade trabalha para recharçar (ou seria com X, quem souber deixe um comentário para mim, estou sem o dicionário aqui agora) as coisas boas para a madrugada. Bem até aquele rala-e-rola, muitas vezes só rola de madrugada.

Acreditem, um dia desses até o desenho animado que eu queria ver só rolou de madrugada! Assim não pode, assim não dá.

Claro que sempre existe a possibilidade de eu estar envelhecendo a mente mais rápido do que esperava, e aquilo, que eu não dava a mínima antes, só consigo ver de madrugada. Aff... tô ranzinza, vou dormir.

sábado, julho 08, 2006

Confiar é foda

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Confiar é foda. E tenho dito.

Em Dezembro comprei um carro, foi um carro usado, mas tenho um amigo que tem uma loja mecânica e me falou que o carro estava ótimo, não tinha nenhum problema, ele estava intermediando a questão. Como era meu amigo confiei, achei que não tinha nenhum interesse nisso. De lá para cá, tenho tido problemas frequentes. Na viagem de ontem de BH para Teixeira de Freitas - BA, foi a vez do radiador dar problema, acho que ar no sistema, assim ele não estava acionando, mas porra, ele saiu da revisão ontem!!! Isso não era para acontecer!
Na média estou muito contente com o carro, mas esses probleminhas sempre me fazem pensar que peguei um mico, paguei mais caro do que deveria e ainda tenho problemas, isso é foda.

Entretanto, meus amigos, por mais que digam "Esse cara é um otário", é assim que eu sou. Eu tenho uma doença Humanus confians. Essa é uma doença por mutação cromossômica, que nem sempre é transmitida aos descendentes, mas às vezes tem caráter familiar. No meu caso eu fui o mais acometido pela doença na família.

Os sintomas são simples: você confia em tudo e todos. Simples né? O problema é quando a confiança não é merecida, nessa hora descobrirá qual das duas vertentes da doença você tem se a Humanus confians despreocupatus ou a famigerada Humanus confians estressatus. Também é simples explicar na Hc estressatus a quebra na confiança te deixa profundamente irritado e decepcionado com todos os que nos cercam, gerando um sofrimento intenso devido a grande sensação de engano que se sofre; enquanto na Hc despreocupatus continuamos a nossa vida, sabendo que essas coisas ocorrem, que nem sempre as pessoas terão a dignidade e a honestidade da confiança que depositamos nelas, mas isso nunca será um motivo para se lamentar. Na verdade é comprimido amargo, mas paliativo à nossa doença, fazendo com que reflitamos um pouco mais.

Bem meus amigos, confiar é isso depositar no outro uma carga tão pesada que só a força de caráter pode suportar.
Mas nem sempre o outro suporta.

Consideração final: acho que imaginam de qual das doenças eu sofro não é mesmo?

Abraços.

quinta-feira, junho 15, 2006

E Se...

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Bem amigos da Rede Globo... ops, é o blog, mas com esse clima de copa, mesmo eu, que não gosto de futebol, fico empolgado.

Aqui vai mais um texto que escrevi há alguns dias e vou postar aqui, onde der vou reelaborar um pouco mais.

...

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BH, 19/05/06 - 0:15

Hoje estou meio disposto a escrever, tanto tempo fazia. Em parte devo isso ao Ragner, meu grande amigo Ragner que tanto me enche osaco para atualizar o blog. Engraçado ver essa admiração que alguns amigos nutrem por nós e também exercem sobre nós, ele é um desses amigos.

Sinto saudades de escrever, mas às vezes deixamos tudo meio parado. "Suspenso no ar". Sinto saudades de poemas que não escrevi, alguns seriam lindos, outros nem tanto, mas seriam escritos. Penso que muitos sentem isso. A idéia vem à mente, mas por motivos vários não são executadas, as vejo como filhos abortados, tenho saudades delas, por que elas não voltam.

Por falar em saudades, sinto falta de alguns amigos, de infância, que nunca mais vi e nem sei se me reconheceriam hoje. Mas bola prá frente (nesse clima de copa então!).

Sinto muita, muita falta do que não vivi. Como pode isso? Não faz sentido, chega a ser crueldade esse sentimento. Como combater o desconhecido? E se... nada disso tivesse feito diferença alguma?

Tenho uma vida maravilhosa, não que eu já esteja "sentado no trono de um apartamento", mas estou bem, trabalho, estou amando muito e me parece bastante que sou correspondido, tenho alguns bons amigos, uma família amorosa. Entretanto, e mesmo assim, hoje estou sentindo uma melancolia pelo não vivido. Eu não fiz passeata pelo impeachment, eu não fui preso pelos militares (nem era nascido, mas isso pouco importa), eu não usei calça boca de sino (o que seria bem ridículo hoje) e costeleta (nem tenho barba para isso), eu mal me lembro dos Menudos, não fui à Festa da Cerveja com meus colegas na faculdade e todos falaram que foi maravilhoso, caralho eu não participei do Show Medicina1 nem fui à Intermed!!!

É cruel e incrível esse sentimento, sofrer pelo que não se fez. É como em um conto de fadas, mas contos que aconteceram, entretanto nós não vivemos.

Deve ser por isso que vivo buscando coisas novas, apartamento novo, vida nova, trabalho novo, religião nova - nesse quesito posso escrever um livro, ou um filme (já pensou se fico rico?!!!).

Essa vida é uma graça mesmo, mas eu não estou nem aí. Minha dor e minha alegria são o que me constroem e não há quem me convença o contrário (tá pode ser que sim), mesmo que sejam coisas simples como ganhar uma partida de Imagem e Ação ou dado uma topada no dedo!

1. Show Medicina: grupo de teatro formado, exclusivamente, por alunos da Faculdade de Medicina da UFMG, que já tem, hoje, mais de 50 anos de atuação.

quarta-feira, junho 07, 2006

Flor de Papel

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Uma flor de papel não vale nada, mas muda tudo!

Agora pronto, o que quero dizer com isso?
Vou resumir, para acabar o suspense, depois me explico: Um pequeno gesto vale muito!

Entendeu? Vamos então explicar.
Nos nossos relacionamentos diários são os pequenos gestos que fazem as grandes diferenças. Um pequeno agrado, um carinho "inesperado", uma mensagenzinha no celular, totalmente sem conteúdo, só para dizer "olá, como vai?"

Por muito tempo pensei que isso tudo era uma grande tolice, gastar dinheiro à-toa. Mas o que dizer da surpresa de um toque no celular, a doçura de um bombom despretencioso?

Hoje penso diferente. Não acho que chegue a ser chiclete, talvez ainda esteja mais para o desligadão, mas já consigo valorizar esses pequenos gestos, como comrar uma Pipoca Aritana para a irmã que está triste.

Então pense nisso, um pequeno gesto muda tudo.

E a flor de papel, onde entra na história? Bem... no começo dela. Uma ocasião, carnaval, há uns 03 anos, estava o Rafa (meu primo), minha irmã, umas amigas dela e eu, festa de axé, maior muvuca. Nisso passa uma ambulante: "Compra uma rosa para as moças! 1 real!" - Vê se pode: Dar um real numa rosa de papel? meu primo Deu, não 01 real, mas 05 reais, uma para cada menina. Agrado bobo. Mas os agradecimetnos de cada uma e as várias vezes que elas lembraram o feito, não passaram tão levianos por meus ouvidos, pequena tortura que foi.

Um pequeno gesto muda tudo.
Não há preço para o sorriso da surpresa.

- Alexandre Lima de Barros
- Belo Horizonte, 18/05/2006, 23:54.

sexta-feira, maio 19, 2006

A Cronica que Agora Escrevi

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- Boa noite "seu" Ivaí.
Seu Ivaí é um porteiro, de uma rua que morei. Seu Ivaí, como muitos outros é um desses porteiros que habitam a entrada de nossos prédios, nossa cidade.
Imagino esses camaradas, zeladores de nossa segurança, a maioria deles muito educados, ali sentados em suas portarias.
Calma, deixa eu explicar o porque desse assunto. Em minhas muitas andanças pela cidade - coisa de quem não tinha dinheiro para gastar com taxi nem paciência para andar de ônibus - adquiri o hábito de cumprimentar os porteiros e outros habitantes da noite.
Nem sei como são suas vidas, mas sempre os imagino ali, no meio da noite, solitários.

Pare e pense, você, no meio da noite. Aquelas nobres senhoras que atormentam nossos ouvidos nos elevadores e corredores com assuntos de total "desimportância"1 já foram dormir, não vão mais ocupar os porteiros em longas conversas. Enquanto isso, seus filhos e netos ainda não chegaram com seus carros da balada - carros que eles, os porteriros, nunca terão.

Pensou? Agora pense que você, na posição desse porteiro, deve ficar acordado, em um cubículo escuro, com uma pequena TV preto-e-branco. Ninguém para conversar, nada para falar, nada para distrair.

Pois é! É por isso que eu os cumprimento. Não que eu já inicie com grandes cumprimentos; no início é mais como um levantar de sombrancelhas, depois um aceno de cabeça, para finalmente um aceno de mão e um largo: "- Boa Noite!"
Então eu os cumprimento. Um pequeno intervalo na noite enfadonha. Um pequeno divertimento, para que eles pensem: "Coitado desse menino, andando solitário por essa noite sem graça".

E será que não é isso?


Belo Horizonte, 18/05/2006 - 22:10.

1. Pessoalmente adoro longas conversas com muitos desses velhinhos, mas normalmente não nos corredores, principalmente quando estamos morrendo de pressa.

quinta-feira, abril 28, 2005

Vida Cigana

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Por que se foi?
Tantos planos, tantas coisas pensei, mas agora se foi... há muito tempo se foi. Lembra-se, eu iria te visitar, mas você não quis arriscar. Nessa época aceitei, você também tinha seus pensamentos, seu ideais, suas crenças e precisava correr atrás.

Como perder um amor que não se viveu?

A pior separação que já me ocorreu foi a separação do que nunca se uniu, daquilo que tive intenção, mas não ocorreu. Sempre fui muito impulsivo, mas naquela ocasião vi meu carinho crescendo, progressivamente, inocentemente, até se transformar numa coisa que me fazia mover, seguir.

Mas eis que o destino, em suas artimanhas resolveu adiar, ad eternum (ou até segunda ordem) algo que estava para nascer, de certa forma te amava, sei que você também, mas nossa vida caminha por caminhos retos, nossos sentimentos é que são meio tortos, não querem seguir esse fluxo linear. Você foi de Piracicaba para São Thomé, mesmo vendo, ainda não acredito.

Já faz muito tempo que nem notícias tenho, difícil que é falar com você. Espero que o Grande Arquiteto tenha lhe reservado um caminho bom, que esteja feliz, também trilho o meu caminho, mas o carinho é grande, seja lá como estiver.

No momento eu acho que não tenho mais a dizer deixo essa música falar um pouquinho mais, particularmente gosto da gravação feita pelo Belchior.

Vida Cigana
(Geraldo Espíndola)


Oh, meu amor!
Não fique triste...
Saudade existe pra quem sabe ter,
Minha vida cigana me afastou de você,
Por algum tempo eu vou ter que viver por aí, longe de você,
Longe do seu carinho...
E do seu olhar, que me acompanha já tem muito tempo
Penso em você a cada momento
Sou água de rio que vai para o mar
Sou nuvem nova que vem pra molhar essa noiva que é você
Pra mim você é linda
A dona do meu coração
Que bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver
O meu coração bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver

quarta-feira, março 16, 2005

Maracangalha... Minha Mãe

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Acho que para ser um bom escritor é preciso, além de várias outras coisas, uma ótima memória e uma certa capacidade de "contar causos". Acho que nesse quesito terei problemas. Às vezes paro para tentar lembrar de coisas do meu passado, minha infância e vejo que as memórias existem, mas não são tão fortes, de forma que eu possa trazê-las com toda a força para o presente, assim como Vinícius, ou livros ricos em detalhes como de Pedro Nava.

Entretanto, nem tudo está perdido nessa cachola, e até um peixinho dourado deve ter alguma coisa que fica fixa por mais tempo em sua memória. Assim também é comigo e chegou a hora de fazer justiça a uma pessoa de extrema importância na minha vida: Minha Mãe.

Pessoa séria, caprichosa, trabalhadora, amorosa. Sempre cuidou da sua casa e sua família com muito amor, de uma forma que às vezes nos chateava, mas sempre nos amou. Infância difícil nascida em um vilarejo na Bahia, Caraibas, distrito de Tremedal, ainda menina mudou-se para Vila Pereira, distrito de Nanuque, Minas Gerais, e daí para a sede. Filha de família comum, humilde... vamos adiantar pois isso não é biografia... só quero dizer que minha querida mãe sempre foi uma pessoa humilde, mas que zelava muito por nós, mas todos temos nossas manias e minha mãe também tem as suas: adora casa limpa e organizada, chegando a uma neurose graças a isso, mas é graças a essa neurose que tenho uma das lembraças mais gostosas da minha infância.

Cuidadosa que era com a casa, não gostava de menino pequeno tomando banho e sair bagunçando os quartos sendo assim, tomávamos banho todos juntos, ela, eu e minhas duas irmãs. Isso era uma festa, assim com todos juntos, ocasionalmente meu pai também estava, tornando a festa ainda maior. Isso nos tornava um pouco diferente e se tivéssemos composto a música Família do Titâs acrescentaríamos: 'Toma banho junto todo dia'... era a nossa história e gerou mais histórias.

Nesses banho minha mãe costumava cantar Maracangalha,

Maracangalha
(Dorival Caymmi)

Eu vou pra Maracangalha
Eu vou
Eu vou de uniforme branco
Eu vou
Eu vou de chapéu de palha
Eu vou
Eu vou convidar Anália
Eu vou

Se Anália não quiser ir Eu vou só
Eu vou só, eu vou só
Se Anália não quiser ir
Eu vou só, eu vou só
Eu vou só, sem Anália
Mas eu vou

... mas de uma forma adaptada, não havia Anália e sim Alexandre, Bianca e Janaina...

- Eu vou convidar o Alexandre, eu vou... Se ele não quiser ir eu vou só...

Essa era a nossa deixa, em que sempre respondíamos "Eu vou", como poderíamos deixar nossa mãe ir sozinha para Maracangalha, um lugar tão distante e desconhecido quanto o Tororó, onde ela também nos levava vez ou outra. É verdade que Bi, nossa rebelde sem causa(1), às vezes negava, para indignação minha e de Jana, mas era só charminho mesmo.

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É engraçado hoje escutar Maracangalha, dá vontade de ir para o banheiro, chamar minhas irmãs, minha mãe, meu pai, sentar no chão e deixar que minha mãe esfregue minhas costas, ou eu mesmo esfregar as das minhas irmãs para ajudar. Mas como no momento meus pais estão longe e minhas irmãs dormindo, choro de saudades. Saudades de coisas boas que vivi, vontade de poder vivê-las mas os dias são outros, saudades dos meus queridos pais que estão em Teixeira de Freitas, próximos como uma chamada no Skype, mas tão distantes para um abraço apertado, saudade da minha mainha, pegá-la, jogá-la na cama e beijar todo carinho e sem parar, até meu pai chegar no quarto sorrindo e nos chamando de palhaços.

Saudade.

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1. Rebelde sem causa: Esse domingo (13/03/2005) teve uma reportagem falando que os primogênitos são mais obedientes, enquanto os mais novos são mais "rebeldes", para tentar chamar a atenção dos pais. Por isso mesmo têm maiores propensões a serem pessoas que vão contra o sistema, idealistas. Bem, azar o meu que sou primogênito.

sábado, março 12, 2005

Para Tudo Tem Um Começo

1 comentários
Bem, meu primeiro post aqui no blog teve o título de "Iniciando... mais uma vez", referia-me, obviamente, ao início desse blog. A propósito já comecei outros, mas não consegui dar continuidade e nem divulguei, então não vingou. Nesse agora divulguei um pouquinho, e os comentários servem de estímulo, por isso: COMENTEM... somos sempre um pouco exibicionistas, e a única forma de saber que estão lendo é se comentarem.

Mas o que queria dizer mesmo é sobre o meu começo como "escritor", supondo que o sou, é claro.

Acho que a primeira coisa que me lembro de escrever foi uma redação, na 1ª série, cujo o tema era Jacaré... bem, eu acho. E em determinado ponto da redação surgira a palavra 'jeito', mas que eu não sabia como escrever, palavra que, confesso, até hoje me surgem dúvidas ocasionalmente. Nesse dia tive que sair da minha casa e pedir auxílio no consultório daquele que é o meu grande guru, meu Paizão.

Bem esse episódio foi a primeira composição que lembro que fiz, redação normal de grupo, mas está perdida no tempo então não há como dizer no que consistiu, sem dizer que foi por obrigação, o que geralmente torna muito menos prazeroso. Mas existe um outro dia na minha vida que ficou ainda mais marcado na minha "vida de escritor", foi o dia que realmente decidi que queria escrever poesia, que queria escrever alguma coisa, se é que se pode decidir isso, mas eu decidi. Peguei o velho bloquinho de receituário que sempre tinha lá em casa, pois meu pai, exagerado, mandava fazer muito mais que o necessário. Assim eles bailavam por todos os lugares e os usávamos para tudo, seja para prescrever receitas, fazer cálculos financeiros, desenhar ou escrever.

Cresci vendo meu pai escrevendo nesses blocos e até hoje às vezes encontro algumas de suas folhas, brilhantes, acetinadas, do tipo que borram com canetas BIC, perdidas em algum livro mais antigo.

Pois foi em uma folhinha dessas que escrevi meu primeiro poema, infantil, mínimo, uma estrofezinha, mas mesmo hoje penso que foi um dos meus melhores, o primeiro, meu primogênito, como um filho que nasce sem que se perceba.

E foi assim que nasceu "Chuva Colorida", escrito em caneta BIC verde (que só vi mesmo com meu pai) e desenhos borrados em azul e vermelho.

De lá para cá, já tive épocas de escrever e épocas de silenciar, como já comentei aqui, mas ele foi o marco inicial... e que não haja o final.

Então, hoje, vou postar aqui esse poeminha e toda vez que achar que estou meio parado com o blog e sem inspiração vou repostar poemas/textos antigos, espero que me aguentem, mas desejo muito a crítica dos que me lêem, tanto para elogiar quanto para falar que não gostaram. Quem entender melhor dessa arte de escrevinhar pode me falar ou dar dicas, se houver algum erro falem para que me corrija, pois como disse o sábio filósofo brasileiro: "Eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante."1

Chuva Colorida

Chuva colorida
Para meu mundo sem cor.
Chuva colorida
Para satisfazer o meu amor.

Alexandre Lima de Barros
Lajinha - MG - 1990

1. Raul Seixas

terça-feira, março 08, 2005

E Deus Fez a Mulher

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E Deus seja louvado por muitas obras, mas principalmente essa:
Mulher, fêmea bípede da espécie Homo sapiens sub-espécie sapiens.1

Seres complicados que não sabem o que querem e só querem o que você não sabe. São emotivas ao extremo e ainda sim não mantém um padrão de emotividade, um dia estão amáveis como cachorro pincher quando vê o dono, no outro, parecem gatas paridas, prontas para destruir o mundo (e ai de você se for calmo, isso é capaz de irritá-las ainda mais).

Mulher é boa em tudo, até no que é ruim. Se são chatas, são chatas prá caralho. Se são legais movem o mundo e só te trazem alegrias. Se são frias, nem o sol para penetrar seus corações (e haja sofrimento para os pobres homens), mas se amam, amam com o corpo, com o espírito, amam com a alma... amam como se só isso bastasse nesse mundo criado todinho, penso eu, para elas.

Como sofrem algumas mulheres e como sofre muito muitas outras, sim porque ninguém sofre como as mulheres. Sofrem porque brigou com o namorado, sofrem porque comeram uma caixa de bombom, sofrem ainda se comeram a caixa de bombom porque brigaram com o namorado. Ardem de dor porque aquela mocréia horrorosa2 está usando o mesmo vestido que o seu naquela super-festa.

Choram, choram demais nossas lindas mulheres. Choram porque é o último capítulo da novela,
às vezes nem é o último, mas elas choram assim mesmo. Choram porque o filme é triste, choram porque é alegre, às vezes até nos de ação. Choram porque quebraram a unha e choram porque ninguém reparou no corte de cabelo!

Ah os cabelos, longos, curtos, loiros, pretos, castanhos, ruivos (adoro as ruivas), gordas, magras, baixa, alta, todas com suas particularidades, todas lindas todas maravilhosas. Mulheres, benditas sejam, amadas sejam.

Um grande beijo a todas e parabéns por esse dia que alguns idiotas convencionaram para ser seus, prefiro considerar como sendo todos seus.

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1. Se bem que dizem que se possuirem pêlos louros são Homo sapiens masnemtantus. Brincadeira, sabem que não penso assim, mas não podia perder a piada.

2."Mocréia-Horrorosa": mais conhecida entre os homens como Gostosona.

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Pai e Filho

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Estou aqui no bar a espera de alguém que demora a chegar.1 Toda espera é infinita, mas se anula quando o objeto esperado enfim chega.

Então começo a olhar as pessoas no bar, muito bonito por sinal, e há duas em especial, pai e filho, um garotinho, divertem-se enquanto também esperam seus pedido, talvez um sorvete ou um delicioso crepes. Divertem-se com seu moderno celular que tem câmera fotográfica, ainda não sei se do pai ou do filho. Afinal isso hoje virou brinquedo de luxo. Vejo crianças de 5 anos com celular, é um absurdo.

Mas me rio deles, não como chacota, é de alegria mesmo de ver uma relação bonita assim, pelo menos é o que parece. Eles riem, conversam, brincam. Coisa rara de se ver nesse mundo corrido de hoje, onde os pais só demonstram seu amor através do trabalho, casa, brinquedos. Tudo bem que essa é a forma que julgam correta, mas se esquecem do principal, como aquela propaganda dizia: "Não basta ser pai, tem que participar."2

Gostei de ver esses dois garotos, pois um pai, com seu filho, às vezes se porta como um garotão. Gostei porque lembrei do meu pai, um grande amigo, que sempre foi um Super-Pai-Gelol, não coitado, não é fresco não. Mas sempre participou. Sempre esteve ao meu lado, mesmo que com opiniões diferentes.

Que me desculpem quem não teve essa oportunidade, mas é maravilhoso ter uma relação dessas. Lembro de como brincávamos e do quanto eu já ri, e ainda rio (ô conjugaçãozinha esquisita). Isso é realmente é maravilhoso. É muito bom ver aquele cavalão se debatendo por causa de algumas cócegas, ou rindo da cara minha e de minha irmã quando fazemos nossas palhaçadas.

Esse é meu paizão e aqui fica mais uma homenagem para você... e Manhinha, depois vem uma para você também, relaxa que amo muito vocês dois.

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Esse aí é ele... um pouco mais sério do que o normal.

Hoje é só isso mesmo, queria falar da singelesa da vida.

É isso aí, a vida é assim, não basta viver, tem que participar.

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1. Obs: Caso você chegue a ler isso, e você sabe que é com você, não se importe, pois não me importo com isso, foi apenas um fato, e até gerou bons frutos como esse texto. E a espera valeu a pena, como a propaganda da Tim.

2. Comercial da Gelol, que sempre terminava com o slogan: "Não basta ser pai, tem que participar."