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terça-feira, setembro 26, 2006

Deus Tira Onda (ou: Por que existimos?)

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Raramente escrevo dois posts no mesmo dia, mas ontem quis escrever isso e na hora H fugiu da minha mente. Agora que acabei de assistir ao filme Energia Pura (Powder) acabei lembrando-me.

Esses dias estava conversando com a Flávia, católica convicta, mas muito agradável de conversar e, conversa vai, conversa vem comecei a pensar:

"Deus tira onda com a nossa cara!"

É sério, tentem me acompanhar. Suponhamos1 que exista esse "Deus" que todas as religiões dizem. Esse cara supremo O Cara, que criou tudo e todos, dizem que ele é Só Justiça, Só Amor e etc e tal. Suponhamos que, por essas qualidades todas Ele sabe o que faz, nos ama, e quer o bem de todos - até mesmo porque não aceitaríamos que o grande criador queira o nosso mal.

Isso tudo suposto e outras suposições mais às quais não me lembro no momento, pergunto: Por que raios existimos, assim, da forma que existimos? O que quero dizer é por que esse mundo é tão foda? Por que tem um galerão sofrendo, e uma turminha só nadando na carne-seca, passeando de jet-sky na nata da existência? Por que tem um gurizinho ali na rua que não dorme de tanto frio e eu aqui não durmo por opção no apartamentinho quentinho com minha internet banda larga?

Para explicar isso é mais complexo, vai depender da religião, e me perdoem se eu simplificar demais a parada aqui, mas é que não conheço tanto assim dos milhares de ramos que existem:
1.Cristãs: temos que expiar nossos pecados para merecer o paraiso eterno.
... Então fiquem espertos camaradas vale a pena sofrer uns 50 a 80 aninhos para ganhar a eternidade de brinde.
2.Espíritas (reencarnacionistas em geral): estamos pagando ou usufruindo o que plantamos no passado.
... Parece um pouco mais justo.
3.Outras: tudo faz parte do todo, tudo é impermanente, etc.
4.Várias outras: vários outros motivos.

Eu poderia ficar por um tempo aqui, se tivesse conhecimento para tal, discorrendo sobre as explicações, mas atualmente eu caio na seguinte pergunta:

- E daí? Por que nós?
Se Deus é bom prá caramba por que eu tenho que sofrer, qual é a dele? Na proposição 1, cristã, é foda aceitar as discrepâncias de oportunidade. Falarão em livre arbítrio e coisa e tal, mas é muita injustiça comparar o filho do Abílio Diniz e o ambiente que ele cresceu com o Laranjinha, que nasceu no favelão e tudo o que ele via era crime, e que prá ele é normal, se é normal como recriminá-lo por fazer isso.

Podem me falar de livre arbítrio à vontade, que somos diferentes dos animais, que pensamos e escolhemos o nosso caminho, mas ainda sim fica a pergunta: Prá quê? Por quê?
Se Deus é e sempre foi essa perfeição, por que ele inventou a gente? Para quê o livre arbítrio e o sentimento se isso nos faz sofrer. Tá, não quero reclamar dos dons que ele me deu e que não deu prá essa muriçoca filha da puta que fica me picando até morrer debaixo da minha mão. Não estou sendo ingrato, eu só queria saber o que Ele ganha com isso? O que isso traz para a Sua grande experiência eterna?

Será que um belo dia ele acordou na sua intemporalidade e resolveu olhar para aquele esboço de DNA e pensou: "E se eu pusesse uma pitadinha de livre arbítrio... vamos ver o que acontece!!!" e eureka... nascemos!

Prá quê? Prá que meu Deus? Fica parecendo aqueles meninos muleques que espetam um palito na bunda da tanajura só prá ver a bichinha batendo asa. Será que coloca formiga no copo d'água, só para ver o que acontece?

Eu juro que não entendo o que ele quer, mas vou seguindo, afinal de contas é assim que o bendito do livre arbítrio (que de livre tem muito pouco nesse mundo) me guia.

Por seu teor filosófico, caros amigos, gostaria muito de vossos comentários.

Um grande abraço.

1. Eu acredito em Deus, mas de vez em quando fica difícil definir exatamente como é esse Deus em que acredito, mas prá efeito geral eu acredito.

Eu Dou Choque!

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Bem, calma companheiros, não estou querendo dizer não me toque pois dou choque, ou qualquer coisa assim. Não quero dizer que sou fresco, estourado e "dou choque", estou dizendo apenas a afirmação clara, simples, gramaticalmente falando: Eu dou choque, simples.

Isso tem me intrigado, mas a todo instante, em todos os lugares, em todas as pessoas (digo, não todas, mas frequentemente) eu dou choque.

- Vou sair do carro: dou choque.
Não precisam falar que com clima frio e vento etc, carrega o carro e você toma choque... não... é toda vez.

- Vou examinar um paciente: choque.
- Vou abrir uma porta: choque.

Tudo: choque.

Acho que meu dom mutante vai se manifestar a qualquer momento. Aguardem por novidades, alguns, até procuram um dermatologista, mas isso não é problema de pele, então não acho necessário.

Abraços.

sábado, setembro 16, 2006

Trocadilhema Vezes Menos Um

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Lendo o blog do grande amigo, escritor e poeta Carino, encontrei o poema Trocadilhema, publicado no dia 12/09/06, muito gracioso, mas como sou bastante enrolado, me vi na situação inversa aqui vai a resposta.

Trocadilhema Vezes Menos Um

Vagareza essa,
Impede-me as idéias
Ver impressa.

Alexandre Lima de Barros
BH - 16-09-2006 - 10:23


1. Quando multiplicamos um número por -1 (menos um) invertemos o seu sinal.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Caipirão (À Lajinha)

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Releio esse poema que vou postar e o sentimento saudosista brota novamente em meu peito. Essa vida nossa hoje é tão corrida que às vezes penso que não fui eu quem viveu isso tudo. Foi há muito, muito tempo, parece-me que foi há 50 anos atrás. Tenho vontade de viver isso tudo um pouco mais, entretanto é tarde, muito tarde, o que se foi "é ido", não volta mesmo.

Tenho vontade de voltar à minha Lajinha e ver como está hoje, o que mudou naquelas ruas de paralelepípedo que tantas vezes corri descalço cidade a fora, só de shorts e muita disposição. Bicicletinha GaloCross, isso mesmo Galo, não era Caloy não pois era cara, mas era até cromadinha, com manche amarelo, bonita até. Andei demais, caí demais, vivi bastante. Quero ver a Igrejinha, quero ver a Praça, que tinha uma sorveteria do lado, com sanduíche "Americano" pois não gostava de queijo, nem hamburguer, bala Ice Kiss com mensagem para compensar um pouco da timidez.

Ai, queria muito ver o Carnaval, o Cheira-Cheira, meu amado azul e branco, o Mé de verde e rosa, a águia do Kenedy de vermelho e branco. Participar do ateliê, ajudando a fazer as roupas e adereços, ajudando quase nada, mas tentava.

Saudades dos amigos.

Em termos de saudosismo sou pior que muita gente, sou saudosista do que não vivi até mais do que o que vivi. Tenho saudades de ver minha vó dançando rancheira, quando ainda era adolescente. Saudades de ver minha mãe passando à pé, lá da "feirinha" até o Estela Matutina, lá em Nanuque, saudades.

Ai Saudades, ô bicho marvado.
Esse poema em primeiro lugar é homenagem à Lajinha, em segundo a meu pai que sempre amou aquele lugar e a quem devo um pouco dessa vontade de escrever. Homenageio os velhos amigos que nunca mais vi, mas que ajudaram a construir minha vida.


Caipirão (À Lajinha)

Ê Gonzaga, saudades de ti Luiz.
Tô aqui, escuto Asa Branca,
Lembro da minha terra.
Terra que não verei, nem ninguém verá.

A fazendinha,
Cheia de galinha cocá.
Bichinha danada,
Teimando em me despertar.

Fazendão,
Café em plantação.
Verdim, vermelhim.
Lavrador a colher,
Criançada a correr.
Secagem no terreirão.
À noite forrozão.

Saudades Gonzaga.
Casarões suspensos,
Vigas de madeira,
Até hoje não sei porque.
Mas era bonito,
Chão batido no chão.
Casarão suspenso no ar.

Saudades da minha infância.
Pela rua brincava.
Minha mãe cozinhava.
Naquela época não tinha preocupação.
Eu não corria perigo não.

Bem, corria, mas era outra coisa.
Não era sequestro, nem ladrão.
Perigava estourar a cara,
Pedalando feito louco descendo ladeira.
Perigava pegar verme,
Brincando na lamaceira.
Sem falar dos morrinhos,
Que teimava escalar.
Ah se mamãe soubesse,
Quantas vezes temi me esborrachar.

Saudades da minha Lajinha.
Choro, choro de saudades.
Saudades da Igrejinha,
No alto da pedra.
Ah se mamãe soubesse.
Meu nome tá lá.

Amigos de infância,
Que nunca pude visitar.
Mas estão no meu coração,
Assim como outros que virão.
Mas hoje não falo do futuro.
Saudoso do meu passado.

Saudades Gonzaga,
E só para ser singelo,
Saudadezinha
Da minha Lajinha.

(Alexandre Lima de Barros - 23/07/2004 - BH - 14:02
Escutando Luiz Gonzaga).

Quereres

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Quereres

Se pudesse escolher um sonho,
Escolheria o sonho eterno
De pra sempre me quereres.

Pois querer-te, assim como quero,
Já não cabe em sonho,
Ou o que além houver.

Mas, se além disso puder querer,
Fico com essa vida
Para sempre a te beijar.

(Alexandre Lima de Barros
BH, 08/08/2006 - 0:58)