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segunda-feira, setembro 04, 2006

Caipirão (À Lajinha)

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Releio esse poema que vou postar e o sentimento saudosista brota novamente em meu peito. Essa vida nossa hoje é tão corrida que às vezes penso que não fui eu quem viveu isso tudo. Foi há muito, muito tempo, parece-me que foi há 50 anos atrás. Tenho vontade de viver isso tudo um pouco mais, entretanto é tarde, muito tarde, o que se foi "é ido", não volta mesmo.

Tenho vontade de voltar à minha Lajinha e ver como está hoje, o que mudou naquelas ruas de paralelepípedo que tantas vezes corri descalço cidade a fora, só de shorts e muita disposição. Bicicletinha GaloCross, isso mesmo Galo, não era Caloy não pois era cara, mas era até cromadinha, com manche amarelo, bonita até. Andei demais, caí demais, vivi bastante. Quero ver a Igrejinha, quero ver a Praça, que tinha uma sorveteria do lado, com sanduíche "Americano" pois não gostava de queijo, nem hamburguer, bala Ice Kiss com mensagem para compensar um pouco da timidez.

Ai, queria muito ver o Carnaval, o Cheira-Cheira, meu amado azul e branco, o Mé de verde e rosa, a águia do Kenedy de vermelho e branco. Participar do ateliê, ajudando a fazer as roupas e adereços, ajudando quase nada, mas tentava.

Saudades dos amigos.

Em termos de saudosismo sou pior que muita gente, sou saudosista do que não vivi até mais do que o que vivi. Tenho saudades de ver minha vó dançando rancheira, quando ainda era adolescente. Saudades de ver minha mãe passando à pé, lá da "feirinha" até o Estela Matutina, lá em Nanuque, saudades.

Ai Saudades, ô bicho marvado.
Esse poema em primeiro lugar é homenagem à Lajinha, em segundo a meu pai que sempre amou aquele lugar e a quem devo um pouco dessa vontade de escrever. Homenageio os velhos amigos que nunca mais vi, mas que ajudaram a construir minha vida.


Caipirão (À Lajinha)

Ê Gonzaga, saudades de ti Luiz.
Tô aqui, escuto Asa Branca,
Lembro da minha terra.
Terra que não verei, nem ninguém verá.

A fazendinha,
Cheia de galinha cocá.
Bichinha danada,
Teimando em me despertar.

Fazendão,
Café em plantação.
Verdim, vermelhim.
Lavrador a colher,
Criançada a correr.
Secagem no terreirão.
À noite forrozão.

Saudades Gonzaga.
Casarões suspensos,
Vigas de madeira,
Até hoje não sei porque.
Mas era bonito,
Chão batido no chão.
Casarão suspenso no ar.

Saudades da minha infância.
Pela rua brincava.
Minha mãe cozinhava.
Naquela época não tinha preocupação.
Eu não corria perigo não.

Bem, corria, mas era outra coisa.
Não era sequestro, nem ladrão.
Perigava estourar a cara,
Pedalando feito louco descendo ladeira.
Perigava pegar verme,
Brincando na lamaceira.
Sem falar dos morrinhos,
Que teimava escalar.
Ah se mamãe soubesse,
Quantas vezes temi me esborrachar.

Saudades da minha Lajinha.
Choro, choro de saudades.
Saudades da Igrejinha,
No alto da pedra.
Ah se mamãe soubesse.
Meu nome tá lá.

Amigos de infância,
Que nunca pude visitar.
Mas estão no meu coração,
Assim como outros que virão.
Mas hoje não falo do futuro.
Saudoso do meu passado.

Saudades Gonzaga,
E só para ser singelo,
Saudadezinha
Da minha Lajinha.

(Alexandre Lima de Barros - 23/07/2004 - BH - 14:02
Escutando Luiz Gonzaga).

7 comentários:

  1. Seu viado... Não faça assim, não desse jeito. Eu to quase chorando aqui numa sala, do meu trampo, em minha mesa, com esse computa na minha frente e uma pá de coisa na mesa.
    Chorando mesmo (quase), pois esse saudosismo me invade também, saudade de minha idade perdida.
    Você é um safado, mas amo assim mesmo. hehehe.

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  2. Só tem saudade de Lajinha quem sempre esteve no mainstream, como você. Bancar o caipirão agora só vale para quem não conheceu teu pai... que ridículo. Vai até um hai-kai para combinar com seu poema:

    Vade retro LajINHA
    buraco cheio de
    hipocriSINHA

    (para não perder a rima)

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  3. Engraçado como são algumas pessoas, não têm coragem para assumir as críticas que fazem. Isso sim é hipocrisia.

    Jogar pedra e esconder a mão. Provavelmente essa pessoa que critica nem deve morar mais lá, ou tentar contribuir em alguma coisa para a cidade que critica, mas eu durmo tranquilo, como também dorme o meu pai, que tanto ama e lutou por essa cidade, mas realmente, nossos caminhos nos guiaram para longe de lá.

    Fica aí a sugestão:
    1.Identifique-se, mostre a dignidade que cobra dos outros.
    2.Mostre o que fez de bom para poder criticar os outros.

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  4. Ólá ,estive em Lajinha 1996 com um amigo que tem parente ai,curti muito ,adorei e ainda fui preso ( pra averiguação) gostei tanto que retornei várias vezes, lindas paisagens ,lindas meninas e gente muito maravilhosas,não conheço nenhum político local e por isso naun estou defendendo ninguém, defendo somente esta terra maravilhosa, que se Deus quiser um dia retornarei...
    do Rio de Janeiro
    LUIZ

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  5. ALEXANDRE ALVIM15 março, 2008 10:58

    SO QUEM ESTA NO MEIO DESSAS MONTANHAS MARAVILHOSAS E QUE CONVIVEU COM LINDAS FESTA, TEM GRANDES AMIGOS COMO VC ALEXANDRE PODE DIZER O QUE SENTE POR LAJINHA. PARABENS AMIGO PELO BELO COMENTARIO DE NOSSA TERRINHA E DEIXE QUEM NAO GOSTA DAQUI ESQUECER. UM ABRAÇAO EM SUA FAMILIA.

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  6. oi sou de lajinha hoje moro em saquarema rj adoro essa cidade so nao vouto por motivo de trabalho tenho meus amigos ai e familia la nu corrego do caete saudades

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  7. Parabens pelo poema, sou nascido no CORREGO RICO, LAJINHA-MG, amo aquela cidadezinha, apesar de estar fora sempre que posso dou uma chegada lá, pra rever meus familiares e meus pais la no CORREGO RICO no sitiozinho tão querido....só quem nasceu e se crio entre aquelas montanhas sabe o valor que tem aquele lugar....parabens pelo poema e faça como eu, dê um jeito de aparecer por lá...a Cidade ta maravilhosa como sempre, com aquele jeitinho caipira...quanto aos politicos, não sei se os sapos e jacarés darão jeito....abraço e parabens pelo poema...

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